Principais Técnicas de Parasitologia

Tópicos do Artigo

  1. Pesquisa Direta a Fresco (ou a Nativo)
  2. Método de Sedimentação Espontânea: Método de Hoffman, Pons e Janer
  3. Método de Flutuação Centrífuga: Método de Faust
  4. Método de Centrífugo-Sedimentação: Método de Ritchie
  5. Método da Fita Gomada de Graham (para Enterobíase)
  6. Técnica de Baermann (para Larvas de Strongyloides)

Se você está no laboratório, com a amostra à sua frente e se perguntando “qual técnica usar agora?”, este guia foi feito para você. Vamos direto ao ponto: cada método em parasitologia tem um propósito específico e revela um “universo” diferente de parasitas no microscópio. Dominar não só o “como fazer”, mas também “o que esperar encontrar” em cada lâmina é a chave para um diagnóstico preciso. Vamos descomplicar as principais técnicas, passo a passo, e mapear exatamente quais ovos e estruturas você pode identificar com cada uma delas. Prepare sua bancada, pegue seu conta-gotas e vamos lá!

Pesquisa Direta a Fresco (ou a Nativo)

Esta é a técnica mais rápida e simples, sua primeira triagem microscópica. Em uma lâmina limpa, coloque uma pequena porção de fezes (equivalente a um grão de arroz) e adicione uma ou duas gotas de solução fisiológica (0,9%). Homogeneize com um palito e cubra com uma lamínula. Examine primeiro com objetiva de 10x (para uma visão geral) e depois com a 40x (para detalhes).

Aqui, você consegue observar principalmente a motilidade de trofozoítos vivos, como os da Entamoeba histolytica (movimento ativo e direcional) ou da Giardia lamblia (movimento de “queda de folha”). Em relação a ovos, a técnica é pouco sensível, mas em infestações maciças você pode visualizar ovos grandes e evidentes, como os da Taenia sp. (ovos esféricos e marrons, com embrião hexacanto) ou os da Ascaris lumbricoides (ovos férteis com capa albuminosa mamilonada ou inférteis sem estrutura definida). É excelente para ver larvas rábditoides de Strongyloides stercoralis em movimento, um achado diagnóstico crucial.

Método de Sedimentação Espontânea: Método de Hoffman, Pons e Janer

Esta é uma técnica de concentração por gravidade, ideal para ovos pesados. Em um copo de sedimentação (ou funil), dilua cerca de 1g de fezes em água, complete com mais água e deixe em repouso por 30 a 40 minutos. Sifone ou decante cuidadosamente o sobrenadante, transfira uma alíquota do sedimento para uma lâmina e examine.

FONTE

A sedimentação é excelente para a maioria dos ovos de helmintos, que são mais densos e afundam. Você terá um grande rendimento para:

  • Ovos de Schistosoma mansoni: Com seu espículo lateral característico.
  • Ovos de Fasciola hepatica: Grandes, ovais e operculados.
  • Ovos de Ascaris lumbricoides (tanto férteis quanto inférteis).
  • Ovos de vermes em “cotonete” (Enterobius vermicularis): Ovais e achatados em um dos lados, porém a coleta para este é mais eficaz com fita gomada.
  • Ovos de Trichuris trichiura (em forma de “barril” ou “limão”, com polos transparentes).
    A técnica preserva bem a morfologia, mas é menos eficaz para cistos leves de protozoários.

Método de Flutuação Centrífuga: Método de Faust

Aqui, o princípio é oposto: usar uma solução de alta densidade (como sulfato de zinco a 33%) para fazer os cistos e ovos leves flutuarem. Em um tubo, emule 1g de fezes com água, filtre e centrifuge. Despreze o sobrenadante, resuspenda o sedimento na solução de sulfato de zinco, complete o tubo e centrifuge novamente. Colete a película superficial (o sobrenadante) com alça bacteriológica, coloque na lâmina e examine. O método de Faust é soberano para cistos de protozoários e alguns ovos leves:

  • Cistos de Giardia lamblia: Com seu formato oval, flagelos internos e corpos medianos.
  • Cistos de Entamoeba histolytica/dispar: Com cromatina periférica e, por vezes, cariosoma central.
  • Ovos de Ancylostoma (amarelão)*: Ovoides, com casca fina e contendo blastômeros.
  • Ovos leves de Hymenolepis nana: Esféricos, com membrana dupla e filamentos polares.
  • Oocistos de Cryptosporidium spp.: Pequenos (4-6 µm), mas visíveis. Atenção: eles podem ficar distorcidos pela alta densidade da solução.
FONTE

Método de Centrífugo-Sedimentação: Método de Ritchie

Esta é uma das técnicas de concentração mais usadas na rotina, combinando a ação química do formol (que fixa) e do éter (que dissolve gorduras) com a força física da centrífuga. Após filtrar a suspensão fecal, centrifuga-se com éter e formol. Quatro camadas se formam: éter (topo), detritos, formol e, no fundo, o sedimento com os parasitas. Coleta-se o sedimento para o exame. É um método de alta sensibilidade e versátil. Você encontrará uma ampla gama no sedimento:

  • Praticamente todos os ovos de helmintos citados na sedimentação, com excelente recuperação.
  • Cistos de protozoários, porém com uma recuperação um pouco inferior ao método de Faust.
  • Larvas de Strongyloides, que podem ser destruídas, portanto não é o método ideal para esta pesquisa.
  • É particularmente bom para ovos operculados (como FasciolaParagonimus) e ovos com espículo (Schistosoma), pois a técnica é mais suave que a flutuação.
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Método da Fita Gomada de Graham (para Enterobíase)

Técnica específica para detectar Enterobius vermicularis (oxiúrus), cujas fêmeas migram para a região perianal para botar ovos, que raramente aparecem nas fezes. Pela manhã, antes do banho ou evacuação, pressione o lado gomado de uma fita transparente contra as pregas perianais. Cole a fita, esticada, em uma lâmina de microscópio e examine diretamente.

Você está procurando especificamente pelo ovo do Enterobius vermicularis. Ele é plano em uma face e convexo na outra, assemelhando-se a um “grão de feijão” achatado. O embrião pode ser visto dentro. Ocasionalmente, pode-se encontrar a fêmea adulta do parasita presa à fita, um achado diagnóstico definitivo. Nenhum outro ovo é pesquisado de forma eficaz com esta técnica.

Técnica de Baermann (para Larvas de Strongyloides)

Método especializado baseado na termotaxia e hidrotaxia das larvas. Coloca-se uma amostra de fezes sobre uma gaze presa num funil contendo água morna. As larvas migram ativamente para a água e se acumulam no tubo conectado à extremidade do funil, após algumas horas. A gota coletada do tubo é examinada na lâmina.

O foco é a detecção de larvas de Strongyloides stercoralis. Você observará as larvas rábditoides (de esôfago curto e bulbar) em movimento ativo. É o método de escolha para este parasita, pois as técnicas de concentração convencionais podem destruir suas larvas. Raramente, outras larvas de vida livre (de nematódeos de vida livre) podem aparecer, mas a morfologia da larva de Strongyloides é característica.

Referências Bibliográficas:

  1. DAVID PEREIRA NEVES. Parasitologia humana. [s.l: s.n.].
  2. Método de Hoffman (Sedimentação Espontânea) – Tira o Jaleco. Disponível em: <https://www.tiraojaleco.com.br/2018/10/metodo-de-hoffman-sedimentacao.html>.
  3. ¿Qué es la técnica de Faust? – MB Noticias – Diario de Benidorm. Disponível em: <https://mbnoticias.es/salud/que-es-la-tecnica-de-faust/>.

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