
Se você é estudante de Biomedicina e já passou pela prática de urinálise, sabe que a parte microscópica do EAS (Elementos Anormais do Sedimento) exige atenção aos detalhes. Entre hemácias, leucócitos, cilindros e células epiteliais, os cristais no exame de urina costumam gerar dúvidas — principalmente na hora de diferenciar achados fisiológicos de alterações com significado clínico.
Aprender a identificar corretamente os cristais urinários na microscopia não é apenas uma habilidade técnica, mas um diferencial profissional. A análise adequada pode sugerir distúrbios metabólicos, risco de cálculo renal, alterações hepáticas e até erros na coleta ou armazenamento da amostra. Neste artigo, vamos aprofundar os principais tipos de cristais encontrados no exame de urina e como reconhecê-los com segurança no microscópio.
Como ocorre a Formação de Cristais na Urina
A formação de cristais no exame de urina acontece quando determinadas substâncias dissolvidas atingem um ponto de supersaturação. Em outras palavras, a urina passa a conter mais soluto do que consegue manter dissolvido, favorecendo a precipitação.
Entre as substâncias que mais participam desse processo estão cálcio, oxalato, ácido úrico, fosfato e cistina. Quando a concentração desses compostos aumenta — seja por desidratação, dieta rica em proteínas, alterações metabólicas ou distúrbios renais — o ambiente urinário se torna propício à cristalização.
Um ponto importante para você, estudante de Biomedicina, é entender que nem todo cristal indica doença. Muitos cristais urinários podem aparecer em indivíduos saudáveis, especialmente após períodos de jejum prolongado ou baixa ingestão hídrica. O segredo está em correlacionar o achado microscópico com o pH, densidade urinária e contexto clínico.
Influência do pH Urinário na Cristalização
O pH urinário é um dos fatores mais determinantes na formação dos cristais urinários. Ele altera a solubilidade de diversas substâncias e direciona o tipo de cristal que pode ser encontrado no exame de urina.
Em urina ácida (pH abaixo de 6), são mais comuns:
- Cristais de ácido úrico
- Cristais de urato amorfo
- Cristais de oxalato de cálcio
- Cristais de Urato de Sódio
Já em urina alcalina (pH acima de 7), observamos com maior frequência:
- Cristais de fosfato triplo (estruvita)
- Fosfatos amorfos
- Fosfato de cálcio

Essa relação é extremamente cobrada em provas e também aparece na rotina laboratorial. Quando você identifica um cristal na microscopia, deve imediatamente conferir o pH da amostra. Se houver incoerência entre o tipo de cristal e o pH, considere possíveis erros pré-analíticos.
Um exemplo clássico: cristais de fosfato triplo aparecem tipicamente em urina alcalina e estão frequentemente associados a infecções urinárias por bactérias produtoras de urease. Se o pH estiver ácido, vale revisar a lâmina e confirmar a morfologia.
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