Quais são os Elementos do Sedimento Urinário: Hemácias, Leucócitos, Cristais e Cilindros

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Se você é estudante de Biomedicina, provavelmente já percebeu que a análise do sedimento urinário é uma das etapas mais técnicas e interpretativas do exame de urina. Não basta apenas identificar hemácias, leucócitos, células epiteliais, cristais ou cilindros. É preciso entender o contexto clínico, dominar a centrifugação, realizar corretamente a preparação da lâmina e saber diferenciar elementos celulares e não celulares como muco, bactérias e leveduras.

A microscopia do sedimento urinário exige prática e raciocínio integrado. Muitas vezes, o que parece um achado simples pode indicar desde uma infecção urinária até uma doença renal mais complexa. Neste artigo, vamos aprofundar cada grupo de estruturas encontradas no sedimento, com foco técnico e aplicável à rotina laboratorial.

O que é um Sedimento Urinário?

O sedimento urinário é o material sólido obtido após a centrifugação da amostra de urina. Ele contém partículas que se depositam no fundo do tubo, permitindo a análise microscópica detalhada. Esses componentes incluem tanto elementos celulares e não celulares, como hemácias, leucócitos, células epiteliais, cristais, cilindros, muco, bácterias e leveduras.

No exame de urina tipo EAS, a avaliação do sedimento complementa os dados físico-químicos. Por exemplo, a presença de proteína na fita reagente pode estar associada a cilindros proteicos na microscopia. Da mesma forma, nitrito positivo pode correlacionar com bacterias visíveis no campo microscópico.

Para o biomédico, compreender o que é o sedimento urinário significa entender que ele reflete processos que ocorrem ao longo do trato urinário. Desde alterações glomerulares até contaminações da coleta, tudo pode aparecer na lâmina.

Como é Feita a Análise do Sedimento Urinário

A análise começa com a centrifugação da amostra, geralmente a 1500–2000 rpm por cerca de 5 minutos. Essa etapa é essencial para concentrar os elementos celulares e não celulares presentes na urina. Um erro comum entre estudantes é centrifugar em velocidade excessiva, o que pode deformar hemácias e prejudicar a interpretação.

Após descartar o sobrenadante, realiza-se a preparação da lâmina, ressuspendendo o sedimento restante. Uma gota é colocada na lâmina, coberta com lamínula e levada ao microscópio. Essa etapa deve ser feita com cuidado para evitar bolhas, que podem ser confundidas com estruturas como leveduras.

Durante a leitura microscópica, utiliza-se aumento de 10x para varredura geral e 40x para identificação detalhada. É nesse momento que você observará hemácias, leucócitos, células epiteliais, cristais, cilindros, muco, bactérias e leveduras.

Uma dica prática: sempre correlacione seus achados com pH, densidade e dados clínicos. A interpretação isolada pode levar a conclusões equivocadas.

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Elementos Celulares do Sedimento Urinário

Os elementos celulares incluem hemácias, leucócitos e células epiteliais. Cada um tem significado clínico específico e deve ser cuidadosamente diferenciado.

Hemácias

As hemácias no sedimento urinário indicam hematúria. Podem ser isomórficas (origem baixa) ou dismórficas (origem glomerular). Saber reconhecer alterações morfológicas ajuda a sugerir possível comprometimento renal. Hemácias dismórficas costumam ter formatos irregulares e membrana distorcida. Uma dica para não confundir as hemácias com leucócitos, é perceber que a hemácia possui um contornado bem destacado, e a parte interior é bem ”limpa”.

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Leucócitos

Os leucócitos geralmente estão associados a processos inflamatórios ou infecciosos. Quando aparecem em grande quantidade junto com bactérias, reforçam o diagnóstico de infecção urinária. Entretanto, leucócitos isolados podem ocorrer em inflamações não infecciosas.

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Células Epiteliais

As células epiteliais também fazem parte dos elementos celulares. As escamosas geralmente indicam contaminação da amostra. Já as células renais têm maior relevância clínica, podendo sugerir lesão tubular.

A chave é nunca analisar um elemento isoladamente. A soma dos achados orienta a interpretação.

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Elementos Não Celulares no Sedimento Urinário

Os elementos não celulares incluem cristais, cilindros, muco, bactérias e leveduras. Esses componentes podem ter origem fisiológica, infecciosa ou patológica.

Cristais da Urina

Os cristais se formam por precipitação de solutos urinários e sua identificação depende muito do pH. Oxalato de cálcio, ácido úrico e fosfato triplo são alguns exemplos. Embora nem sempre indiquem doença, podem estar relacionados à formação de cálculos renais.

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Cilindros

Os cilindros são estruturas formadas nos túbulos renais a partir da proteína de Tamm-Horsfall. Eles são extremamente importantes na avaliação de doenças renais. Cilindros hialinos podem ser encontrados em indivíduos saudáveis, mas cilindros hemáticos ou leucocitários têm maior significado clínico.

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Muco

O muco aparece como filamentos finos e geralmente não possui grande relevância clínica. Já a presença de bactérias deve ser correlacionada com leucócitos e sintomas clínicos. As leveduras, por sua vez, podem indicar candidíase urinária, mas também podem ser confundidas com hemácias pequenas.

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Reconhecer esses elementos celulares e não celulares exige prática constante e observação cuidadosa.

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