Principais Estruturas do Aparelho Renal e Histologia

Tópicos do Artigo:

  1. Introdução
  2. Rim e Estruturas Renais
    • Corpúsculos Renais
    • Células Mesangiais
    • Túbulo Contorcido Proximal
    • Alça de Henle
    • Túbulo Contorcido Distal
    • Túbulos e Ductos Coletores
    • Aparelho Justaglomerular

Introdução

O sistema urinário é composto por dois rins, dois ureteres, a bexiga e a uretra. A urina é gerada nos rins, transportada pelos ureteres até a bexiga e, finalmente, expelida do corpo pela uretra. Esse sistema desempenha um papel essencial na manutenção da homeostase, ao produzir urina, por meio da qual são eliminados resíduos metabólicos, além de água, eletrólitos e outras substâncias em excesso no organismo. Essas funções são realizadas nos túbulos uriníferos através de processos complexos, incluindo filtração, reabsorção ativa e passiva, e secreção. Além de regular a composição do meio interno, os rins também produzem hormônios, como a renina, que auxilia no controle da pressão arterial, e a eritropoetina, que estimula a produção de glóbulos vermelhos. Os rins ainda colaboram com outros órgãos, como o fígado e a pele, na ativação da vitamina D3, transformando-a em sua forma hormonal ativa.

FONTE

Rim e Estruturas Renais

O rim possui um formato semelhante a um grão de feijão, com uma borda convexa e outra côncava. Na borda côncava, localiza-se o hilo, uma região por onde passam vasos sanguíneos, nervos e o ureter, que transporta a urina para fora do rim. O hilo também contém tecido adiposo e estruturas chamadas cálices, que se unem para formar a pélvis renal, a porção dilatada e superior do ureter. Anatomicamente, o rim é composto por três camadas principais: a cápsula, formada por tecido conjuntivo denso; o córtex renal, ou zona cortical; e a medula renal, ou zona medular.

A unidade funcional do rim é o néfron, que é constituído por uma parte dilatada conhecida como corpúsculo renal (ou corpúsculo de Malpighi), seguida pelo túbulo contorcido proximal, pela alça de Henle (dividida em partes delgada e espessa) e pelo túbulo contorcido distal. O túbulo coletor conecta o túbulo contorcido distal aos ductos coletores, que podem estar localizados tanto no córtex quanto na medula renal. Essa estrutura complexa permite que o rim desempenhe suas funções de filtração, reabsorção e secreção de substâncias.

Corpúsculos Renais

O corpúsculo renal possui aproximadamente 200 μm de diâmetro e é composto por um emaranhado de capilares, conhecido como glomérulo, envolto pela cápsula de Bowman. A cápsula é formada por duas camadas: uma interna, chamada folheto visceral, que está em contato direto com os capilares glomerulares, e uma externa, denominada folheto parietal, que delimita o corpúsculo renal. Entre essas duas camadas, há o espaço capsular, que recebe o líquido filtrado a partir da parede dos capilares e do folheto visceral da cápsula.

Cada corpúsculo renal apresenta dois polos: o polo vascular, por onde a arteríola aferente entra e a arteríola eferente sai, e o polo urinário, onde se inicia o túbulo contorcido proximal. Ao adentrar o corpúsculo renal, a arteríola aferente se ramifica em diversos capilares, formando alças. O folheto parietal da cápsula de Bowman é revestido por um epitélio simples pavimentoso, apoiado sobre uma lâmina basal e uma fina camada de fibras reticulares.

Enquanto o folheto parietal mantém sua estrutura epitelial, as células do folheto visceral sofrem modificações durante o desenvolvimento embrionário, adquirindo características específicas. Essas células, chamadas podócitos, são formadas por um corpo celular principal, do qual partem prolongamentos primários que, por sua vez, dão origem a prolongamentos secundários. Esses prolongamentos desempenham um papel crucial no processo de filtração glomerular.

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Células Mesangiais

Essas células também podem ser observadas na parede dos capilares glomerulares, localizadas entre as células endoteliais e a lâmina basal. As células mesangiais possuem propriedades contráteis e apresentam receptores para a angiotensina II. Quando esses receptores são ativados, ocorre uma redução no fluxo sanguíneo glomerular. Além disso, essas células contêm receptores para o hormônio ou fator natriurético, produzido pelas células musculares do átrio cardíaco. Esse hormônio age como um vasodilatador e promove o relaxamento das células mesangiais, aumentando o volume de sangue nos capilares e ampliando a área disponível para a filtração.

As células mesangiais desempenham outras funções importantes: fornecem suporte estrutural ao glomérulo, sintetizam a matriz extracelular, fagocitam e digerem substâncias normais e patológicas (como complexos antígeno-anticorpo) que ficam retidas na barreira de filtração, e produzem moléculas biologicamente ativas, como prostaglandinas e endotelinas. Essas atividades contribuem para a manutenção da função renal e do equilíbrio fisiológico.

Túbulo Contorcido Proximal

No polo urinário do corpúsculo renal, o folheto parietal da cápsula de Bowman se estende e se conecta ao epitélio cuboidal ou colunar baixo do túbulo contorcido proximal. As células desse túbulo apresentam um citoplasma basal altamente acidófilo, devido à presença de numerosas mitocôndrias alongadas. Na região apical, o citoplasma possui microvilosidades que formam uma borda em escova. Como essas células são bastante largas, em cada corte transversal de um túbulo proximal, observam-se apenas três ou quatro núcleos esféricos.

Alça de Henle

A alça de Henle é uma estrutura em formato de U, composta por um segmento delgado situado entre dois segmentos espessos. Os segmentos espessos possuem uma estrutura muito semelhante à do túbulo contorcido distal. A alça de Henle desempenha um papel crucial na retenção de água, sendo que apenas os animais que possuem essa estrutura são capazes de produzir urina hipertônica, o que permite economizar água no organismo conforme necessário. A alça de Henle cria um gradiente de hipertonicidade no interstício medular, o qual influencia a concentração da urina à medida que ela passa pelos ductos coletores.

Túbulo Contorcido Distal

Após um percurso curto no córtex renal, a parte espessa da alça de Henle torna-se sinuosa e passa a ser chamada de túbulo contorcido distal, que também é revestido por um epitélio cúbico simples. Em cortes histológicos, a diferença entre os túbulos contorcidos distais e proximais, ambos localizados no córtex e compostos por epitélio cúbico, pode ser identificada com base nas seguintes características: as células dos túbulos distais são menores (o que resulta em um maior número de núcleos por corte transversal), não possuem a borda em escova e apresentam menor acidofilia (devido à menor quantidade de mitocôndrias). Além disso, as células dos túbulos distais possuem invaginações na membrana basolateral, onde se localizam mitocôndrias, uma característica que indica sua função no transporte de íons.

O túbulo contorcido distal faz contato com o corpúsculo renal do mesmo néfron, e, nessa região, sua estrutura sofre uma modificação. Suas células tornam-se cilíndricas, mais altas, com núcleos alongados e próximos uns dos outros. A maioria dessas células apresenta o complexo de Golgi na região basal. Esse segmento modificado da parede do túbulo distal, que aparece mais escuro em cortes histológicos corados (devido à proximidade dos núcleos das células), é chamado de mácula densa. A mácula densa é sensível à concentração de íons e ao volume de água no fluido tubular, produzindo moléculas sinalizadoras que estimulam a liberação da enzima renina na corrente sanguínea.

Túbulos e Ductos Coletores

A urina segue dos túbulos contorcidos distais para os túbulos coletores, que se conectam a ductos coletores de maior calibre, os quais se direcionam em direção às papilas renais. Tanto os túbulos quanto os ductos coletores possuem um trajeto retilíneo. À medida que se unem e se aproximam das papilas, suas células aumentam em altura, tornando-se gradualmente cilíndricas.

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Aparelho Justaglomerular

A mácula densa do túbulo distal geralmente está localizada próxima às células justaglomerulares, formando com elas uma estrutura conhecida como aparelho justaglomerular. Esse aparelho também inclui células de citoplasma claro, chamadas células mesangiais extraglomerulares, cuja função ainda não é completamente compreendida.

As células justaglomerulares são responsáveis pela produção da enzima renina. A renina não age diretamente, mas desencadeia uma série de reações que aumentam a pressão arterial e estimulam a secreção de aldosterona, um hormônio produzido pelo córtex da glândula adrenal. A renina atua sobre o angiotensinogênio, uma proteína presente no plasma, liberando um decapeptídeo chamado angiotensina I. Em seguida, uma enzima plasmática remove dois aminoácidos da angiotensina I, convertendo-a em angiotensina II, um octapeptídeo.

Os principais efeitos fisiológicos da angiotensina II são elevar a pressão sanguínea e promover a secreção de aldosterona pela glândula adrenal. A aldosterona, por sua vez, reduz a excreção de sódio pelos rins. A deficiência de sódio no organismo estimula a liberação de renina, que aumenta a produção de aldosterona, inibindo a perda de sódio. Por outro lado, o excesso de sódio no sangue suprime a secreção de renina, reduzindo a produção de aldosterona e, consequentemente, aumentando a excreção de sódio pela urina.

Referências Bibliográficas

  1. UCHÔA, C. et al. Histología básica: texto y atlas. México, D.F.: Médica Panamericana, Reimpressão, 2015.
  2. 19-3 Aparelho urinário – HISTOLOGIA. Disponível em: https://mol.icb.usp.br/index.php/19-3-aparelho-urinario/.
  3. DÉBORA CARVALHO MELDAU. Corpúsculo Renal – Sistema Urinário. Disponível em: https://www.infoescola.com/anatomia-humana/corpusculo-renal/. Acesso em: 20 mar. 2025.
  4. BRITO, G. Histologia Do Sistema Urinário. Disponível em: https://resumosmedicina.com.br/tudosobrehistologiadosistemaurinario/.

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